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Quero me divorciar: por onde começar e quais são os primeiros passos

· 5 min de leitura · Por Fiorot Gama Advocacia

quero me divorciar por onde começar

Quem digita “quero me divorciar por onde começar” no celular costuma fazer essa pergunta que costuma vir depois de muito tempo pensando, e quase sempre com medo: de perder a casa, de ficar sem renda, de a separação respingar nos filhos. Se você está nesse ponto, saiba que a decisão já foi a parte mais difícil. O resto pode ser feito por etapas, uma de cada vez.

Neste artigo:

Primeiro: você não precisa de motivo nem da concordância do outro

Desde 2010, a Constituição permite o divórcio direto, sem prazo mínimo de separação e sem precisar provar culpa de ninguém. Basta a vontade de uma das partes.

Isso significa que, se o outro não aceitar, o divórcio continua possível. O que a falta de acordo muda é o caminho: em vez do cartório, a separação passa pela Justiça. Mas o casamento pode ser encerrado mesmo assim.

Quero me divorciar por onde começar na prática

Uma lista simples para os primeiros dias:

  1. Separe os documentos básicos. Certidão de casamento atualizada, documentos pessoais, certidão de nascimento dos filhos e o que houver dos bens (escritura, contrato de financiamento, documento do carro). A lista completa está no artigo sobre documentos para divórcio.
  2. Faça uma lista do que o casal tem e do que deve. Imóveis, veículos, contas bancárias, investimentos, empréstimos, cartões. Não precisa ser exata, mas ajuda a enxergar o todo.
  3. Anote os gastos dos filhos. Escola, saúde, alimentação, transporte. Esse levantamento será a base da pensão.
  4. Guarde cópias em lugar seguro. Se a relação estiver tensa, documentos podem sumir. Fotos no celular ou numa nuvem resolvem.
  5. Converse com um advogado antes de conversar com o outro sobre valores. Saber o que a lei prevê evita aceitar ou propor algo no calor da discussão.

Os filhos vêm antes da partilha

Quando há filhos menores, três pontos precisam ficar definidos: guarda (com quem a criança mora e como as decisões são tomadas), convivência (os dias e horários com o outro genitor) e pensão alimentícia.

Hoje a regra é a guarda compartilhada, que não significa dividir a criança meio a meio, e sim dividir as decisões. Quanto mais o casal conseguir combinar esses pontos, menor costuma ser o desgaste para os filhos. Se a pensão for o ponto de maior preocupação, o artigo sobre como funciona a pensão alimentícia explica como o valor é definido.

A casa, o carro e as dívidas

O que acontece com os bens depende do regime de bens escrito na certidão de casamento. No regime mais comum, a comunhão parcial, o que foi comprado durante o casamento costuma ser dividido, e o que cada um tinha antes, ou recebeu de herança, costuma ficar com quem já era dono.

Casa financiada, imóvel no nome de um só, carro comprado com dinheiro dos dois: cada situação tem sua conta. As dívidas feitas em benefício da família também podem entrar na divisão. Uma boa notícia: a partilha não precisa ser feita no mesmo momento do divórcio. Quando há urgência em encerrar o casamento, ela pode ficar para depois.

Dinheiro para o período da separação

Quem dependia da renda do outro costuma ter medo de ficar sem nada durante o processo. Algumas medidas podem ajudar, conforme o caso:

  • Pedido de pensão para os filhos desde o início.
  • Em situações específicas, pensão entre ex-cônjuges, geralmente por um tempo determinado, enquanto a pessoa se reorganiza.
  • Pedido de gratuidade das custas, para quem não tem condição de pagar o processo.

Essas medidas dependem do caso concreto e das provas de renda e de necessidade.

Cartório ou Justiça: como saber o caminho

O caminho depende de três perguntas:

  • Existe acordo sobre tudo?
  • Existem filhos menores ou incapazes, ou gravidez?
  • Existem bens a dividir?

Com acordo e sem filhos menores, o divórcio pode ser feito em cartório, inclusive por videoconferência. Sem acordo, ele vai para a Justiça. O guia completo sobre como funciona o divórcio detalha cada caminho, os custos e os prazos. Mais informações sobre o divórcio em cartório estão também no site do Conselho Nacional de Justiça.

Perguntas frequentes

Preciso sair de casa para pedir o divórcio?

Não. Sair de casa não é exigido e, em regra, não faz a pessoa perder direito sobre o imóvel. Mas, se houver risco à sua segurança, a prioridade é se proteger.

E se eu sofro violência em casa?

A prioridade é a segurança. A Lei Maria da Penha prevê medidas protetivas que podem ser pedidas na delegacia ou pelo telefone 180. O divórcio pode ser tratado em seguida.

Quanto custa começar um divórcio?

Depende do caminho, dos bens e do estado. Existem as taxas do cartório ou as custas da Justiça, os honorários do advogado e, quando há imóvel, possíveis impostos. Quem não pode pagar pode pedir gratuidade.

Conclusão

Se a sua dúvida era “quero me divorciar por onde começar”, a resposta curta é: organize documentos, pense primeiro nos filhos, levante o que o casal tem e deve, e entenda o caminho antes de negociar. Nada disso precisa ser feito de uma vez.

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