Sarah Fiorot Advocacia agora é Fiorot Gama Advocacia. Mesma equipe, mesmos contatos.

Pensão alimentícia: como funciona, como pedir, calcular e cobrar

· 6 min de leitura · Por Fiorot Gama Advocacia

pensão alimentícia como funciona

Se você pesquisou pensão alimentícia como funciona, provavelmente está criando um filho com pouca ou nenhuma ajuda do pai, ou está do outro lado, pagando e tentando entender seus limites. Este guia explica o assunto do começo ao fim, em linguagem simples, para você saber quais são os caminhos e o que costuma acontecer em cada um.

Neste artigo:

O que a pensão cobre e quem tem direito

Apesar do nome, a pensão alimentícia não é só comida. Ela cobre o que a pessoa precisa para viver: alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, transporte e lazer.

Têm direito, entre outros:

  • Filhos menores de idade, que são o caso mais comum. A obrigação é dos dois pais, cada um conforme as suas condições.
  • Filhos maiores que ainda estudam, em geral até cerca de 24 anos, conforme o entendimento dos tribunais e a situação concreta.
  • A gestante, por meio dos chamados alimentos gravídicos, que ajudam com os gastos da gravidez e depois do nascimento podem virar pensão para a criança.
  • Ex-cônjuge ou ex-companheiro, em situações específicas e quase sempre por prazo limitado.

Um ponto importante: a criança tem direito à pensão mesmo que o pai não tenha registrado o filho. Nesse caso, a ação pode pedir o reconhecimento da paternidade e a pensão juntos.

Como o valor é definido

Muita gente acredita que a lei fixa a pensão em 30% do salário. Isso não existe. O que a lei manda o juiz equilibrar é a necessidade de quem recebe e a possibilidade de quem paga, regra prevista no artigo 1.694 do Código Civil.

Na prática, entram na conta:

  • Os gastos reais da criança: escola, plano de saúde, remédios, creche, alimentação.
  • A renda de quem paga: salário, bicos, aluguel recebido, padrão de vida aparente.
  • A renda de quem cuida, porque os dois pais contribuem.

Quando o pai tem carteira assinada, é comum o juiz fixar um percentual do salário, descontado direto na folha. Quando ele é autônomo ou não tem renda comprovada, o valor costuma ser fixado com base no salário mínimo.

E se o pai diz que está desempregado?

O desemprego não costuma eliminar a obrigação. O juiz pode fixar um valor mais baixo, mas os tribunais têm entendido que quem tem condição de trabalhar deve contribuir. Sinais de padrão de vida, como carro, viagens e postagens em redes sociais, podem ser usados como prova de que a renda real é maior do que a declarada.

Pensão alimentícia: como funciona o pedido

O pedido pode ser feito de duas formas:

  • Por acordo. Os pais combinam o valor, e o acordo pode ser homologado na Justiça, que é quando o juiz o aprova oficialmente. Com isso, se o pagamento atrasar, o acordo pode ser cobrado como uma decisão judicial.
  • Por ação de alimentos. Quando não há acordo, quem cuida da criança entra com a ação, com base na Lei de Alimentos.

Uma vantagem importante da ação: logo no começo, o juiz pode fixar alimentos provisórios, um valor que o pai já começa a pagar enquanto o processo continua. Isso evita que a criança fique sem ajuda durante meses.

Os documentos básicos são a certidão de nascimento da criança, os documentos de quem a representa, comprovantes dos gastos e o que houver sobre a renda do pai, como holerite, prints de redes sociais ou informações sobre o trabalho dele.

Quando o pai não paga

Pensão fixada e não paga pode ser cobrada na Justiça. Existem dois caminhos principais, que podem ser usados conforme o tempo da dívida:

  • Rito da prisão: vale para as três últimas parcelas vencidas antes da cobrança e as que vencerem durante o processo. O devedor é intimado a pagar, provar que pagou ou justificar. Se não fizer nada disso, o juiz pode decretar prisão civil de 1 a 3 meses. A prisão não apaga a dívida.
  • Rito da penhora: serve para parcelas mais antigas. O juiz pode bloquear conta bancária, penhorar bens, descontar do salário e incluir o nome do devedor nos cadastros de inadimplentes.

Quanto antes a cobrança começa, mais opções costuma haver. Deixar a dívida acumular por anos não faz ela desaparecer, mas tira o acesso ao rito da prisão para as parcelas mais antigas.

Revisão e fim da pensão

O valor da pensão não é eterno. Ele pode ser revisado quando a situação de alguma das partes muda de forma relevante: o pai perdeu o emprego, passou a ganhar mais, a criança passou a ter gastos maiores com saúde ou escola.

Quanto ao fim:

  • A pensão não acaba automaticamente quando o filho faz 18 anos. Pelo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o cancelamento depende de decisão judicial, com chance de o filho se manifestar.
  • Parar de pagar por conta própria, sem decisão, costuma gerar dívida e risco de cobrança.

Revisão e exoneração, que é o pedido para encerrar a obrigação, também dependem de ação na Justiça ou de acordo homologado.

Defensoria ou advogado particular

A Defensoria Pública atende quem não pode pagar advogado e é um caminho legítimo para pedir pensão. A diferença costuma estar no volume de atendimento: em muitas cidades, a fila é grande e o acompanhamento é mais espaçado.

Com advogado particular, o acompanhamento é individual, com atenção à prova da renda real do pai e à cobrança rápida quando o pagamento atrasa. O custo pode ser parcelado em muitos escritórios, e a gratuidade das custas do processo pode ser pedida nos dois casos.

Quando a pensão faz parte de um divórcio, ela costuma ser resolvida junto, como explica o guia sobre como funciona o divórcio.

Perguntas frequentes

Qual o valor mínimo da pensão alimentícia?

Não existe um valor mínimo fixo na lei. O juiz analisa a necessidade da criança e a condição de quem paga. Em casos de renda muito baixa, é comum o valor ser fixado como uma fração do salário mínimo.

Avós podem ser obrigados a pagar pensão?

Podem, em caráter complementar. Quando o pai não tem condição de pagar ou não é encontrado, os tribunais têm admitido o pedido contra os avós, que pagam conforme a possibilidade deles.

A pensão pode ser paga direto à mãe, sem conta?

Pode, mas o ideal é que o pagamento seja feito por depósito ou Pix em conta, para ficar registrado. Pagamento em dinheiro sem recibo costuma gerar discussão depois.

Conclusão

Entender a pensão alimentícia como funciona, etapa por etapa, ajuda a sair da insegurança: o valor depende da necessidade e da possibilidade, o juiz pode fixar uma pensão provisória logo no início, e o atraso pode ser cobrado com penhora e até prisão civil.

No Fiorot Gama, nossa equipe atua em ações de pensão alimentícia, do pedido à cobrança e à revisão, com atendimento online e presencial com agendamento prévio. Para entender o seu caso, fale no WhatsApp com um advogado.

Ficou com alguma dúvida?

Cada caso tem detalhes próprios. Conte a sua situação para a nossa equipe e entenda quais caminhos existem.

Fale no WhatsApp